O descortiçamento e a cortiça
É uma casca grossa e esponjosa que pode começar a ser cuidadosamente retirada do sobreiro após 25 anos do seu nascimento. A primeira cortiça a ser retirada chama-se cortiça virgem e este primeiro ato de descortiçamento tem o nome de desboia.
Passados nove anos tira-se novamente a cortiça, a que se dá o nome de secundeira.
Tanto a cortiça virgem como a secundeira têm uma estrutura demasiado irregular, sendo necessário esperar mais nove anos para retirar a amadia, cortiça com qualidade suficiente para ser utilizada na produção de rolhas.
A partir desta altura, a cada nove anos pode ser feito o descortiçamento da árvore e essa cortiça pode ser utilizada nas rolhas.
A cortiça virgem, a secundeira e toda a cortiça que sobra na produção das rolhas também têm utilização noutros produtos que podem ser feitos com cortiça triturada.
25 a 30 anos
Desboia
A primeira cortiça a ser retirada chama-se cortiça virgem.
Mais nove anos
Secundeira
Passados nove anos tira-se novamente a cortiça.
Mais nove anos
Amadia
Cortiça com qualidade suficiente para ser utilizada na produção de rolhas.
De nove em nove anos
Descortiçamento
A partir desta altura, a cada nove anos pode ser feito o descortiçamento da árvore.
O descortiçamento
É no fim da primavera e no início do verão que é mais fácil retirar a cortiça porque a casca está menos aderente ao tronco.
Depois de descortiçado, o tronco do sobreiro apresenta uma cor avermelhada que depois se transforma em castanho escuro, à medida que as árvores vão regenerando a casca.
Para saberem o ano em que tiraram a cortiça, os trabalhadores marcam na árvore, a tinta branca, o ano. Como a cortiça cresce de dentro para fora, a tinta consegue-se sempre ver e assim sabem quantos anos faltam para o próximo descortiçamento.
150 a 200
anos de vida, em média, de cada sobreiro
cerca de 15
descortiçamentos ao longo da vida de cada árvore
Uma prática artesanal e tradicional
O descortiçamento é uma prática artesanal e tradicional que requer muita perícia.
Os tiradores têm de ter a mão bem afinada para darem a machadada certa que corte a cortiça mas não a árvore. O machado é feito à medida para o descortiçamento e possui uma cunha para levantar a cortiça sem tocar no tronco.
Quanto maior for o tamanho da prancha de cortiça retirada, maior será o seu valor comercial.
40 a 60
quilos de cortiça retirados, em média, de cada sobreiro
Da cortiça à rolha
01
Depois de colhida e cortada em forma de pranchas, a cortiça é transportada até um estaleiro, onde é colocada a descansar em pilhas durante cerca de seis meses.
02
Durante este tempo, o teor de humidade uniformiza-se e é reduzida a contaminação microbiana.
03
Depois do período de repouso, a cortiça é separada de acordo com a sua qualidade, o que é determinante para o destino que se segue.
04
No passo seguinte, a cortiça é transportada até à fábrica, onde é fervida em água aquecida a 95 ºC. Depois do banho, segue-se um novo período de descanso e o controlo de qualidade de cada prancha.
05
A análise da dimensão, da porosidade e da humidade é feita por leitura ótica.
A produção das rolhas
Nas pranchas com a qualidade pretendida são retiradas as rolhas naturais de primeira qualidade através de perfurações cilíndricas.
Das pranchas mais finas retiram-se discos utilizados em rolhas técnicas ou outros materiais.
Por fim, são retiradas manualmente as peças defeituosas.
A cortiça que não é utilizada nestas rolhas é triturada para ser utilizada em rolhas ou produtos feitos a partir de cortiça granulada.
1.400
Dos cerca de 45 quilos de cortiça retirada de cada sobreiro são feitas cerca de 1.400 rolhas naturais e da cortiça granulada ainda podem ser feitas mais rolhas ou outros produtos.
A cortiça e Portugal
Portugal é o maior produtor mundial de cortiça.
Em apenas 23% do total das áreas florestais do território nacional produz-se cerca de 50% da cortiça a nível mundial.
A indústria corticeira transforma cerca de 65% do total produzido a nível global, situação que faz de Portugal líder no setor.
A exportação de produtos de cortiça assume uma importância relevante na fileira florestal, na indústria e nas exportações de bens portugueses, fazendo de Portugal o maior exportador de cortiça e produtos de cortiça do mundo.
23%
do total das áreas florestais do território nacional
~50%
da cortiça a nível mundial é aqui produzida
~65%
do total produzido a nível global é transformado pela indústria corticeira